Engorda, mas não é comida

engorda mas nao é comida

Novas pesquisas mostram que contato com substâncias químicas, falta de sono e até poluição podem aumentar o peso — Conheça a obesogênese

 

Você controla com rigor sua alimentação e vai à academia quase todo dia. Mesmo assim, o ponteiro da balança resiste em baixar ou, pior, decide acusar alguns quilos a mais. Se queria uma explicação definitiva para esse dilema, talvez se sinta meio perdido com a resposta da ciência: o mundo moderno conspira das mais diversas formas para que você engorde. Há uma porção de elementos escondidos em nosso dia a dia — presentes em embalagens de alimentos, remédios e até nos tubos de PVC da rede de encanamento — que contribuem, sem que a gente se dê conta, com o ganho de peso. É o que defende Bruce Blumberg, professor de bioengenharia da Universidade da Califórnia, nos EUA, e criador do termo “obesogênicos”, que é como ele chama as substâncias com o poder de incitar o corpo a acumular gordura.

De acordo com a teoria e os experimentos do especialista, os obesogênicos estimulam a retenção de banha por duas vias. Eles induzem os adipócitos, as células de gordura, a ficarem literalmente mais gulosos e gordos, ou desregulam regiões do cérebro que controlam nossa saciedade e preferências alimentares. Células obesas em larga escala e vontade desenfreada de comer são fenômenos que ganham forma na frente do espelho: a barriga cresce, a camiseta e a calça ficam justas…

O impacto dessas substâncias no organismo pode ser até mais sério. “Observamos, em animais expostos a determinados agentes químicos, que até mesmo células-tronco, capazes de se diferenciar em vários tecidos, acabam se transformando em adipócitos”, conta Blumberg. Com um número maior de células de gordura, é altíssima a probabilidade de o animal virar obeso. Blumberg acredita, aliás, que algo semelhante ocorra no corpo humano. Apesar de não estarmos expostos tão diretamente a esses compostos como cobaias de laboratório, uma série de produtos com os quais temos contato diariamente apresenta itens obesogênicos em sua composição.

Onde eles estariam? No teflon da panela, no já citado PVC e em alguns tipos de embalagem plástica de alimentos (como salsichas e bebidas industrializadas), por exemplo. No caso dos plásticos, o problema é que muitos deles contêm bisfenol-A, uma substância reconhecida por dar volume às células adiposas. Por seus riscos à saúde, ele foi banido em diversos países e, no Brasil, proibido no ano passado — as empresas têm até o fim deste ano para abolirem o ingrediente de vez de garrafas, mamadeiras e outros recipientes. Os obesogênicos ainda estão presentes em pesticidas usados nas plantações — por isso, sem querer, eles permanecem em vegetais que chegam às nossas mesas — e na fórmula de alguns medicamentos contra diabete e depressão.

“De 1980 para cá vivenciamos uma epidemia de obesidade. Sim, estamos comendo mais e vivemos mais sedentariamente, mas existem outros fatores coadjuvantes, como as substâncias obesogênicas, e não podemos desprezá-los”, analisa o endocrinologista Alfredo Halpern, professor da Universidade de São Paulo. Os cientistas avaliam agora qual a influência desses inimigos invisíveis na nossa propensão a engordar. Provavelmente, seu peso é menor do que o do estilo de vida em si. Até agora, e pesquisa nenhuma provou o contrário, a melhor forma de erradicar quilos extras continua sendo moderar na alimentação e praticar atividade física regularmente.

Fique sabendo, porém, que existem outros fatores, alguns deles associados aos nossos hábitos, que prestam contas à expansão ou à redução da barriga — e nesses, felizmente, podemos mesmo meter o bedelho. Estamos falando do sono, da exposição ao sol e à poluição… GALILEU foi apurar de que forma e até que ponto eles também repercutem no número da balança.

 

Fonte: revistagalileu.globo.bom
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