Como lidar com a obesidade infantil

obesidade infantil

 

A doença pode causar sérios problemas físicos e psicológicos. Saiba quais são eles e como ajudar seu pequeno

“Nossos filhos estão crescendo acima do peso e subnutridos com uma dieta de alimentos processados. As crianças de hoje integram a primeira geração que irá viver menos do que a de seus pais”. Esta afirmação do chef de cozinha inglês Jaime Olivier pode parecer exagerada, mas reflete bem um drama real: o excesso de peso atinge 33,5% das crianças brasileiras, sendo que, do total, 16,6% dos meninos e 11,8% das meninas são obesos, de acordo com a mais recente pesquisa do IBGE de 2008-2009.

Na sua infância, a realidade era, provavelmente, outra: em 1989, apenas 4,1% dos meninos e 2,4% das meninas apresentavam a doença. Saiba por que o problema da silhueta larga aumentou tanto entre a garotada, como agir quando seu filho está em guerra com a balança e quais os efeitos da gordura excessiva na saúde e na mente das crianças.

Por que o sobrepeso aumentou tanto?

Há várias justificativas para a epidemia do acúmulo de quilos indesejados. “As principais causas são a diminuição das atividades físicas e o consumo exagerado de calorias, normalmente presentes nos alimentos industrializados, ricos em gorduras e sal”, explica o pediatra e nutrólogo Fábio Ancona Lopez, professor da Universidade Federal de São Paulo.

Todos os especialistas entrevistados pelo Bebê.com.br concordam: as brincadeiras ativas entre as crianças, como ir ao parque, jogar bola e brincar de pega-pega,  diminuíram, ao mesmo tempo em que os pequenos passaram a ter mais acesso aos alimentos industrializados, como bolachas e chocolates.

Eles passam boa parte do tempo em frente à televisão e, além de não gastarem as calorias, são bombardeados por inúmeras propagandas de salgadinhos, lanches de fast food, entre outros, o que os leva  a desejar ainda mais esse tipo de alimento.

Os pais também têm sua parcela de responsabilidade. “Atualmente, eles têm dificuldade de dar limites às crianças, o que inclui controlar a quantidade de alimentos muito calóricos que elas consomem. Muitos deles passam um longo tempo distantes dos filhos, devido ao trabalho. Após um dia cansativo, falta disposição para cozinhar e muitos optam pela comida industrializada. Sem contar que, na tentativa de compensar a ausência, cedem sempre que os pequenos pedem para comer algo”, conta a psicóloga Paula Kioroglo, do Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista.

 

Fatores psicológicos e o excesso de peso

Além de todos os motivos já citados, fatores psicológicos também podem contribuir com a obesidade infantil. “Todas as crianças com quem conversei para minha pesquisa tinham uma situação de vida que colaborou para a maior ingestão de alimentos. Elas enfrentaram alguma situação adversa, não puderam elaborar aquilo e acabaram descontando na comida. Foi uma tentativa de preencher o que estava faltando, seja o afeto, seja a possibilidade de assimilar o que ocorreu”, diz a psicóloga Ana Rosa Gliber, que realizou um estudo sobre obesidade infantil pela Universidade de São Paulo.

Em sua pesquisa, Gliber também notou outras semelhanças entre as crianças gordinhas. “Todas elas eram ansiosas e metade tinha o indicativo de depressão. Havia certa imaturidade e um pouco de insegurança”, observa.

Quando a criança já está obesa, os problemas emocionais podem contribuir para que ela tenha maior dificuldade em emagrecer. “Torna-se um ciclo vicioso, porque a criança engorda, isso abala a autoestima e, para lidar com o conflito, ela come mais”, esclarece Kioroglo.

Afinal, não são poucos os problemas psicológicos enfrentados pelas crianças acima do peso. “O ser humano obeso não é bem aceito na sociedade, a criança obesa, por exemplo, muitas vezes não participa de jogos porque não tem um bom desempenho físico”, conta a endocrinologista Sandra Mara Villares, professora colaboradora do curso de medicina da Universidade de São Paulo. Daí surgem problemas como baixa autoestima, tendência a se isolar e o sentimento de inferioridade. “O que nos preocupa muito é que a criança carregue estes sentimentos para a fase adolescente ou adulta”, explica Kioroglo.

Os pequenos também podem ter uma compulsão alimentar. “30% das crianças obesas comem compulsivamente. É interessante que, ao começarem o tratamento para emagrecer, os pais submetam o filho a uma avaliação para saber se um acompanhamento psicológico será necessário”, aconselha Villares.

Para saber se seu filho está obeso ou com sobrepeso é importante que os pais façam acompanhamento constante no pediatra e, uma vez detectada a obesidade, inicie-se o tratamento imediatamente.

 

 

Fonte: womenshealth.com.br

 

 

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